segunda-feira, 7 de maio de 2018

ANTOLOGIA NACIONAL DA RETRANCA

A editora Mondrongo, através do poeta e editor Gustavo Felicíssimo, está selecionando poemas escritos na forma da RETRANCA, estrutura poética criada pelo poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo. 
A finalidade de tal empreitada é, acima de tudo, mapear a produção de Retrancas pelo país e demonstrar que essa forma fixa, legitimamente brasileira, não perdeu o seu vigor com a morte do seu criador. Mas é também homenagear o poeta pernambucano, uma das vozes mais relevantes da poesia brasileira contemporânea.
O resultado final será publicado em uma antologia nacional da Retranca. E cada poeta selecionado receberá, como contrapartida à sua participação, um exemplar da obra, a ser lançada oficialmente no Recife.
Para efeito de publicação na referida antologia, entende-se a Retranca conforme exposto abaixo:
- esquematizada em quatro estrofes de um só fôlego (apenas com ponto de segmento em seu curso) com a seguinte disposição: 4,2,3,2;
- com oito sílabas métricas por verso,
- as rimas, conforme especificado abaixo, podem ser soantes ou toantes
- no quarteto rimam o segundo e quarto versos; no primeiro dístico há uma rima parelha; no terceto a rima ocorre no primeiro e terceiro versos da estrofe; no dístico final os versos também são rimados.

Como modelo, observe-se o poema abaixo:

CASA VAZIA
Poema nenhum, nunca mais,
será um acontecimento:
escrevemos cada vez mais
para um mundo cada vez menos,

para esse público dos ermos
composto apenas de nós mesmos,

uns joões batistas a pregar
para as dobras de suas túnicas
seu deserto particular,

ou cães latindo, noite e dia,
dentro de uma casa vazia.

Os interessados em participar deverão enviar o mínimo de uma Retranca, e no máximo três, com uma minibiografia, sob o título ANTOLOGIA DE RETRANCAS, para o e-mail: contato@mondrongo.com.br, até 30 de maio de 2018.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Leitura e lançamento de "Concisos & Acidentais", de Silvio Valentin Liorbano, na Desvairada


No dia 10 de março (sábado), na programação da Desvairada - Feira de Livros de Poesia, a Mondrongo lançará o livro de haicai “Concisos & Acidentais”, de Silvio Valentin Liorbano. O livro é um dos que inauguram a Série Missangas, em homenagem ao escritor baiano Afrânio Peixoto, considerado o precursor do haicai no Brasil.


Escritor experimentado, com alguns livros publicados, destacadamente no campo da literatura infanto-juvenil, Sílvio Valentin Liorbano vem enriquecer a Série Missangas com o seu belo “Concisos & Acidentais”, de merecida publicação.    
Já o livro, e outros que seguirão na série, marca o início de um labor editorial que visa elevar a Mondrongo como referência nacional para a publicação do haicai no Brasil, como foi outrora o editor Massao Ohno. 

Para adquirir clique AQUI




quinta-feira, 1 de março de 2018

Livro vencedor do Prêmio Matsuo Bashô de Poesia Haicai 2017 será lançado em São Paulo


A Mondrongo lançará em São Paulo, nos dias 9 e 10 de março, durante a Desvairada - Feira de Livros de Poesia, o livro “Aragem”, de Seishin, vencedor do Prêmio Matsuo Bashô de Poesia Haicai 2017, promovido pela própria editora. 

SEISHIN 清心 é o haimei, nome haicaístico, de ANTONIO FABIANO da Silva Santos, carmelita descalço e poeta brasileiro. Sua incursão no haicai se dá a partir do final da década de 1990, quando estudou poética clássica na faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e teve contato com este gênero literário nascido no Japão. Escreveu, naquela época, centenas de tercetos, dos quais apenas doze foram salvos do fogo e publicados em seu livro Nas Pontas dos Pés, em 2015, embora muito distantes da estética tradicionalista posteriormente adotada e seguida pelo autor.
Seishin é discípulo de Teruko Oda no haikai dô, sobrinha e discípula de H. Masuda Goga, discípulo de Nenpuku Sato, discípulo de Kyoshi Takahama, discípulo de Shiki, o último, em ordem temporal, dos quatro grandes mestres de haicai do Japão, ao lado de Issa, Buson e Bashô.

Quando: 9 e 10 de março, em São Paulo
Onde: Desvairada – Feira do Livro de Poesia
Local: Aldeia 445 - Rua Lisboa, 455 | Pinheiros  
Valor: 30,00
ENTRADA GRATUITA

domingo, 13 de agosto de 2017

A DELÍCIA E O DESAFIO DE SER PAI

Gustavo Felicíssimo


Todo pai de primeira viagem descobre rapidamente o quanto seu novo papel é delicioso e desafiante. Delicioso porque voltamos ao mundo da fantasia e sonhamos com mais intensidade; ao mesmo tempo nos tornamos menos vulneráveis às provocações externas. Desafiante porque, com nossas experiências de filho, somos impelidos a superar nossos pais. Somos chamados a transcender nossos limites. É aí, talvez, que reside o motivo maior da paternidade.
Sempre estive literalmente infenso às datas comemorativas, como o Natal, Dia das Crianças, Dia das Mães, e outras. Entretanto, às portas dos meus 40 anos, algo começou a mudar. Num momento em que já não alimentava qualquer aspiração à paternidade, ela me apanhou e me virou pelo avesso. Foi então que percebi o quanto ser pai é um exercício constante de generosidade, abdicação, tolerância, paciência. É, também, viver em estado permanente de transformação interior e alerta.
Ser pai é delicioso e desafiante, é acordar de madrugada preocupado com o choro do filho (no meu caso, das filhas), mas é também lhes oferecer o conforto necessário dos nossos braços para que voltem a dormir. É saber que o filho vai requerer para si todo o tempo disponível que tivermos e o tempo nem tão disponível assim, e mesmo com toda trabalheira seremos completamente loucos por eles. Ser pai é trocar fraldas, limpar cocô, perder noites de sono. É chegar exausto ao final do dia e mesmo assim encontrar mais um pouquinho de energia para dedicar-se ao filho. Mas também é se emocionar com um sorriso, com os primeiros passos, primeiras palavras. Ser pai é comemorar o dentinho que está nascendo e ficar parecendo um tolo quando se ouve o primeiro... papai.
Devido aos apelos midiáticos e publicitários que infestam nosso cotidiano, poderia continuar aceitando que o Dia dos Pais é apenas mais uma data meramente ilustrativa, comercial, cujo ápice supostamente ocorre na oferta dos tradicionais presentes. Mas isso pode ser visto de outra forma.
Recorrendo ao dicionário, encontrei o adjetivo “paterno” como significante de algo que “lembra o amor de pai”. Convenci-me, então, de que a maior gratificação de um pai no Dia dos Pais não é receber um presente ou ter reservado no calendário um dia para ser lembrado mais efusivamente. No Dia dos Pais a maior gratificação de um pai é poder oferecer a seu filho mais um pouco de tempo, carinho e atenção. Eis, para mim, a delícia e o desafio de ser pai.

Em: Carta a Rubem Braga, Crônicas, Mondrongo, 2017

Lançamento previsto para agosto de 2017

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Amali e sua história

Marcos Cajé (Mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas pela UFRB), e Bárbara Santana Nogueira (professora de História, licenciada pela Faculdade São Bento da Bahia) apresentam “Amali e sua história”, um livro infanto-juvenil que livro busca a fomenta da Lei 10.639/03, e do que propõe para colocar em foco as religiões de matrizes africanas, no processo construtivo da história do Brasil. Sobretudo em relação as religiões de matrizes africanas como um meio de resistir à escravidão e como forma de afirmação e permanência das culturas oriundas dos povos africanos. 

sábado, 5 de agosto de 2017

De volta à Vitória da Conquista

No próximo dia 5 de agosto, sábado, no bacaníssimo Bendito, localizado na Av. Alziro Prates, 77, no bairro Candeias, a editora baiana Mondrongo promove o lançamento dos livros Cadenza, de Charles Ribeiro, e Contemplos, de Ian Carvalho, ambos de poesia.


Sobre os poetas
Charles e Ian fizeram parte do importante grupo Candeeiro, formado por poetas conquistenses, que começaram a promover recitais nas praças da cidade, atividade que se desdobrou, por sua força, e ganhou o palco do Teatro Municipal Carlos Jehováh. Assim, a cidade de Vitória da Conquista, pode-se dizer, passou a ter uma nova geração de poetas que recolocou a cidade no mapa da literatura contemporânea da Bahia. 

Sobre os livros
Do ponto de vista formal e temático os livros também se aproximam, pois são frutos de uma estética vanguardista e refletem em temas diversos, marcadamente existencialistas, partindo da observação da realidade vivida para a apreensão de um sentido maior. Os poetas refletem em suas obras o estranhamento do homem no mundo, impregnado por um sentido de deslocamento frente à ruptura de valores da modernidade e à queda de paradigmas, antes institucionalizados e agora questionados ou até mesmo negados.

Serviço:
Lançamento dos livros Cadenza, de Charles Ribeiro, e Contemplos, de Ian
Dia: 5 de agosto, sábado, a partir das 17 horas
Local: Bendito – Café – Arte – Tabacaria
Av. Alziro Prates, 77, Candeias
Vitória da Conquista
Valor dos livros: 35,00 (cada)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

CRISTIANO É PROSA, MESSI É POESIA

Por Gustavo Felicíssimo


Solitário, em meu escritório, onde dou início a escrita desta crônica, observo a lua cheia, assemelhada a uma bola de futebol, e me lembro aquela história infantil em que um menino chuta a sua bola para o alto e acaba derrubando a lua, iniciando a partir daí uma grande confusão.
Isso para dizer que em matéria de futebol, se não sou nenhum expert, também não sou ignorante. E se me perguntarem qual o meu time, respondo logo que tenho dois: São Paulo e Bahia. O primeiro me acompanha desde o berço por influência de meu pai; o segundo é coisa inexplicável, é paixão desde que fui à Fonte Nova pela primeira vez, no já distante ano de 1993. Eu ficava na geral, bem pertinho da Bamor, entrando ali pela Ladeira da Fonte. E acho mesmo que devo ser um caso raro, senão único, de um paulista torcedor de um time nordestino. Aliás, devo dizer que no enfrentamento dos tricolores meu coração fica com o da boa terra sem pestanejar.
            Mas o Bahia maltrata muito a gente. Já frequentamos a terceira divisão e passamos anos seguidos na segundona. Pior é que quando vamos para a primeira, no ano seguinte lá estamos nós, de novo, rebaixados. Só mesmo um coração de aço para suportar. Só mesmo muita paixão. Mas torcedor que não quiser ter esse tipo de aflição que vá torcer pelo Real Madrid ou Barcelona, lá não se corre esse risco. Eles têm Cristiano Ronaldo e Messi, além de outros diversos craques, e estão sempre por cima da carne fresca, fresquíssima, aliás, com euros de sobra, sempre, para a contratação da última joia dos gramados do planeta.
Aliás, nesta noite, após três ou quatro doses de uísque, lembrando a canção de Rita Lee sobre o texto do Jabor, tive um insight e desenvolvi a teoria de que o Cristiano Ronaldo está para a prosa assim como o Messi está para a poesia. No entanto, antes de me embrenhar na questão, é necessário concordar com o Tostão quando ele observa que a bola de um depende da bola de outro, ou seja: a competitividade e rivalidade entre ambos é tão alta e tão acirrada que o que faz um alcançar o máximo rendimento é a existência do outro. Assim, o CR7 como o conhecemos só é possível por conta da existência de um rival à sua altura. Isso vale também para o argentino.
            E se há mesmo alguma possibilidade de comparação entre eles, esta apenas se pode fazer por meio da literatura. Visto que o estilo de jogo do Messi, por exemplo, depende muito do inefável, do improviso, e que ele tateia o gramado como um poeta buscando o indizível, mas sabendo o que quer dizer, como pregou o Gullar, cada drible, cada jogada desconcertante, como aquela sobre o Boateng, podendo ser comparada apenas a um poema, desses com mudanças de perspectivas e metáforas que nos deixam sem fôlego, mais das vezes um poema de boa fatura, ou melhor, um gol, uma jogada excepcional ou um passe para o companheiro apenas cumprimentar a redonda, deitando-a nas redes adversárias.
            Já o Cristiano Ronaldo é prosa pura. Sua índole futebolística é orgânica, depende intimamente do desenvolvimento da partida, assim como uma narrativa depende de um desenvolvimento dentro do tempo. Mesmo que o jogo esteja difícil, ele bem marcado, esconder-se nunca é uma opção, por isso é necessário pulsar, pulsar, até que numa entrelinha – a explosão! Uma única oportunidade e o desfecho é sempre o mesmo: gol do gajo. Pois para ele os 90 minutos de uma partida não passam de mera descrição de paisagem, por isso nunca toma parte em todas as peripécias, mas está ali, pronto para explodir num quadro íntimo. É quando corre para o público e diz: eu estou aqui!
         Enfim, nem preciso dizer que prosa e poesia são gêneros textuais complementares, assim como, do mesmo modo, os gênios Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Eles são as duas extremidades de um leque se fechando harmonicamente, são a fome e a vontade de comer, o chão e a semente. Os mais espirituosos diriam que eles são o casal de namorados no banco da praça, de mãos dadas, mas que não se beijam. E nós somos os felizes espectadores de futebol que podemos presenciar um tempo polarizado entre esses dois grandes astros que já fazem parte, de modo insondável, do panteão dos grandes craques de todos os tempos.

Em: Carta a Rubem Braga, Crônicas, Mondrongo, 2017

Lançamento previsto para agosto de 2017