sábado, 5 de agosto de 2017

De volta à Vitória da Conquista

No próximo dia 5 de agosto, sábado, no bacaníssimo Bendito, localizado na Av. Alziro Prates, 77, no bairro Candeias, a editora baiana Mondrongo promove o lançamento dos livros Cadenza, de Charles Ribeiro, e Contemplos, de Ian Carvalho, ambos de poesia.


Sobre os poetas
Charles e Ian fizeram parte do importante grupo Candeeiro, formado por poetas conquistenses, que começaram a promover recitais nas praças da cidade, atividade que se desdobrou, por sua força, e ganhou o palco do Teatro Municipal Carlos Jehováh. Assim, a cidade de Vitória da Conquista, pode-se dizer, passou a ter uma nova geração de poetas que recolocou a cidade no mapa da literatura contemporânea da Bahia. 

Sobre os livros
Do ponto de vista formal e temático os livros também se aproximam, pois são frutos de uma estética vanguardista e refletem em temas diversos, marcadamente existencialistas, partindo da observação da realidade vivida para a apreensão de um sentido maior. Os poetas refletem em suas obras o estranhamento do homem no mundo, impregnado por um sentido de deslocamento frente à ruptura de valores da modernidade e à queda de paradigmas, antes institucionalizados e agora questionados ou até mesmo negados.

Serviço:
Lançamento dos livros Cadenza, de Charles Ribeiro, e Contemplos, de Ian
Dia: 5 de agosto, sábado, a partir das 17 horas
Local: Bendito – Café – Arte – Tabacaria
Av. Alziro Prates, 77, Candeias
Vitória da Conquista
Valor dos livros: 35,00 (cada)

quarta-feira, 19 de julho de 2017

CRISTIANO É PROSA, MESSI É POESIA

Por Gustavo Felicíssimo


Solitário, em meu escritório, onde dou início a escrita desta crônica, observo a lua cheia, assemelhada a uma bola de futebol, e me lembro aquela história infantil em que um menino chuta a sua bola para o alto e acaba derrubando a lua, iniciando a partir daí uma grande confusão.
Isso para dizer que em matéria de futebol, se não sou nenhum expert, também não sou ignorante. E se me perguntarem qual o meu time, respondo logo que tenho dois: São Paulo e Bahia. O primeiro me acompanha desde o berço por influência de meu pai; o segundo é coisa inexplicável, é paixão desde que fui à Fonte Nova pela primeira vez, no já distante ano de 1993. Eu ficava na geral, bem pertinho da Bamor, entrando ali pela Ladeira da Fonte. E acho mesmo que devo ser um caso raro, senão único, de um paulista torcedor de um time nordestino. Aliás, devo dizer que no enfrentamento dos tricolores meu coração fica com o da boa terra sem pestanejar.
            Mas o Bahia maltrata muito a gente. Já frequentamos a terceira divisão e passamos anos seguidos na segundona. Pior é que quando vamos para a primeira, no ano seguinte lá estamos nós, de novo, rebaixados. Só mesmo um coração de aço para suportar. Só mesmo muita paixão. Mas torcedor que não quiser ter esse tipo de aflição que vá torcer pelo Real Madrid ou Barcelona, lá não se corre esse risco. Eles têm Cristiano Ronaldo e Messi, além de outros diversos craques, e estão sempre por cima da carne fresca, fresquíssima, aliás, com euros de sobra, sempre, para a contratação da última joia dos gramados do planeta.
Aliás, nesta noite, após três ou quatro doses de uísque, lembrando a canção de Rita Lee sobre o texto do Jabor, tive um insight e desenvolvi a teoria de que o Cristiano Ronaldo está para a prosa assim como o Messi está para a poesia. No entanto, antes de me embrenhar na questão, é necessário concordar com o Tostão quando ele observa que a bola de um depende da bola de outro, ou seja: a competitividade e rivalidade entre ambos é tão alta e tão acirrada que o que faz um alcançar o máximo rendimento é a existência do outro. Assim, o CR7 como o conhecemos só é possível por conta da existência de um rival à sua altura. Isso vale também para o argentino.
            E se há mesmo alguma possibilidade de comparação entre eles, esta apenas se pode fazer por meio da literatura. Visto que o estilo de jogo do Messi, por exemplo, depende muito do inefável, do improviso, e que ele tateia o gramado como um poeta buscando o indizível, mas sabendo o que quer dizer, como pregou o Gullar, cada drible, cada jogada desconcertante, como aquela sobre o Boateng, podendo ser comparada apenas a um poema, desses com mudanças de perspectivas e metáforas que nos deixam sem fôlego, mais das vezes um poema de boa fatura, ou melhor, um gol, uma jogada excepcional ou um passe para o companheiro apenas cumprimentar a redonda, deitando-a nas redes adversárias.
            Já o Cristiano Ronaldo é prosa pura. Sua índole futebolística é orgânica, depende intimamente do desenvolvimento da partida, assim como uma narrativa depende de um desenvolvimento dentro do tempo. Mesmo que o jogo esteja difícil, ele bem marcado, esconder-se nunca é uma opção, por isso é necessário pulsar, pulsar, até que numa entrelinha – a explosão! Uma única oportunidade e o desfecho é sempre o mesmo: gol do gajo. Pois para ele os 90 minutos de uma partida não passam de mera descrição de paisagem, por isso nunca toma parte em todas as peripécias, mas está ali, pronto para explodir num quadro íntimo. É quando corre para o público e diz: eu estou aqui!
         Enfim, nem preciso dizer que prosa e poesia são gêneros textuais complementares, assim como, do mesmo modo, os gênios Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Eles são as duas extremidades de um leque se fechando harmonicamente, são a fome e a vontade de comer, o chão e a semente. Os mais espirituosos diriam que eles são o casal de namorados no banco da praça, de mãos dadas, mas que não se beijam. E nós somos os felizes espectadores de futebol que podemos presenciar um tempo polarizado entre esses dois grandes astros que já fazem parte, de modo insondável, do panteão dos grandes craques de todos os tempos.

Em: Carta a Rubem Braga, Crônicas, Mondrongo, 2017

Lançamento previsto para agosto de 2017

terça-feira, 18 de julho de 2017

Cinco livros infantis publicados pela Mondronguinho

Embora mais conhecida por suas publicações no campo da literatura adulta, a Mondrongo, através do selo MONDRONGUINHO, vem publicando assiduamente obras voltadas para o público infantil. Abaixo, breves sinopses de alguns deles:



A obra é um conto escrito em versos que revela a relação entre mãe e filha. Durante o dia, Laurina tece fio a fio do seu tapete e à noite a sua mãe desfaz todo o tapete por julgar que ele não foi bem tecido. A trama de Laurina desenvolve-se nessa díade mãe-filha na qual é possível perceber que a personagem deseja e faz escolhas para além do desejo e das escolhas de sua mãe. É possível perceber a analogia com o mito grego A Odisseia, bem como a presença diluída de grandes pensadores como Nietzsche, Sartre, Freud e Lacan.

O menino da bicicleta voadora, de Gustavo e Arthur Lyra
Essa história quase real foi vivida na ilha de Itaparica, no veraneio de 2014. As confortáveis espreguiçadeiras instaladas no coqueiral infinito da casa eram o destino inevitável depois do jantar. Ali, descansando das aventuras praieiras, pai e filho embarcavam sem roteiro e com toda animação na viagem da imaginação. A linda visão das luzes de Salvador no horizonte e do céu espetacular das noites de verão eram a inspiração que fazia brotar os enredos mais imprevisíveis, até que o sono vencesse a disposição dos viajantes.

De onde vem a escuridão, de Lara Mendonça
Mas de fato o que é a escuridão? Nossa poetisa Lara Mendonça (Larinha, que escreveu essa história em versos com apenas 11 anos), faz uma reflexão bastante sucinta sobre esse complexo substantivo que povoa nossas mentes, nos deixando curiosos e quem sabe até... bem medrosos. Você vai desvendar e descobrir que a escuridão não é apenas um breu e sim um mundo de possibilidades dos quais não precisamos ter medo.

Trata-se de uma historinha divertida, que apresenta aves da Mata Atlântica brasileira e demonstra a importância da união para garantir direitos e impedir a opressão. Você vai descobrir como os passarinhos da Floresta do Conduru se organizaram para combater o gavião ditador.

Igbo e as princesas, de Marcos Cajé
É uma história que se passa em um país do continente africano, a Nigéria, envolvendo encantamentos e mistérios em uma aldeia, sua família real, o nascimento das princesas e a coragem de um rapaz chamado Adjo, que busca sua felicidade e sonha em contribuir para o crescimento de sua aldeia junto ao Rei. O livro traz elementos do lúdico e a presença de vários personagens que tornam a história um princípio de confiança, respeito e encanto do mítico.  

segunda-feira, 3 de julho de 2017

APOETAMENTOS, por Affonso Romano de Sant’Anna

A primeira coisa que se observa na poesia de Rodney Caetano é que ele é um furioso leitor de poetas. Nisto ele mostra-se já original. O “corpus” que ele elege é singular. Quebra as barreiras. Ao contrário do que ocorre na poesia brasileira, ele vai de um lado a outro, sem constrangimento. E isto é saudável, quebra os famosos paradigmas. Ele se sente à vontade, com tremenda liberdade. É com essa liberdade que se põe a poetar, dono de seu nariz, livre.
Desprende-se de seu metier aquela agradável sensação de que ele pode fazer com o verso o que quiser. Tem um domínio invejável do verso e seus segredos. Vai até às experiências visuais como é o caso do poema “Janela”. Tem também uma ligação com a música notável, e isso aparece em sua poesia.
Ensaísta, tendo dado sua contribuição à universidade, esperou o momento certo para lançar-se. É mais uma relevante contribuição que nos vem de Curitiba, de onde sobram ventos renovadores para a vida nacional.

Affonso Romano de Sant’Anna






terça-feira, 27 de junho de 2017

Novo livro de Renato Prata começa a receber crítica

O livro “Breve antologia poética”, do premiado poeta baiano Renato Prata, a ser lançado em breve, já começa a receber suas primeiras apreciações críticas. 

Versos na Pulseira do Tempo
 Cyro de Mattos

O baiano Renato Prata nasceu em Itabuna, como sua irmã Heloísa Prazeres, que também é poeta.  Em Breve antologia poética (2017) publica dessa vez uma seleção de poemas extraídos de seus quatro livros:  Sob o cerco de muros e pássaros (2003), A quinta estação (2007), A pulseira do tempo (2012) e Mar Interior (2015), além de outros retirados das antologias Poetas da Bahia II e III (2003, 2015) e Outros Riscos (2013). Essa Breve Antologia Poética, que nos dá uma amostragem da vida em seu claro parentesco com a música, a considerar espaços da significação ideal do mundo através do verso, é organizada por Heloísa Prazeres.
De marcante presença na lírica contemporânea da Bahia, o poeta de gestos recatados preferiu conviver com o seu projeto estético, em exercício qualificado, durante décadas até que comparecesse em livro. Recolhido ao silêncio de suas criações, não optou por conviver em grupos, forjar alianças, para desfrutar de certo comércio no setor, muito comum aos elogios mútuos e fáceis. Tornou-se o principal crítico de sua produção poética antes de fazer sua estreia como um poeta maduro, privilegiado em sua expressividade nas construções de formas líricas, tanto nos versos livres como nos de estruturas fixas.
Conquistou alguns prêmios literários importantes na Bahia. Um de seus livros teve a edição do próprio autor, já  outros três foram publicados por editoras  baianas de porte pequeno, sem atuação no circuito nacional. Mas o que vale é a sua poesia, que,  de livro a livro, apresenta-se  integrada de linguagem e vida. 
Poeta de ritmo melodioso, desde a estreia em Sob o cerco de muros e pássaros revela que, se procede dos deuses, viaja com tropeços na claridade. Lê-se no poema “O passado investe nossos passos” que os versos da juventude nem chegaram a ter escritura, “gastaram-se no limbo por decênios”.  Sem cantar “as efusões de um dia,  amadas inúteis, o primeiro encontro com a morte”, a certa altura  indaga da razão dessas impressões líricas, guardando sonhos no que sabem o quanto viver, no fluxo e refluxo do prazer,  têm o passado que investe nossos passos. Leva-nos  à conclusão de que um clima é formado de acréscimos líricos,  que a cada momento formam um corpo concentrado em si de sentimentos, escavações no interior, que são expostas aos ventos. 
É nesse tom essencialmente lírico, participante de momentos com aguda sensibilidade,  que encontramos  um poeta inventor do poema com lastros da miragem, ternuras, purezas, maciez e algum presságio. Toca em nossos ouvidos uma poesia orvalhada de emoções, trinado de pássaro, jogo das ondas no vasto mar de  ideias, que   no seu timbre ritmado de cores, sutilezas várias, corre e voa com a musicalidade de sua composição quando escalavra o vento.  Tece com sabedoria o silêncio marcado pela ilusão, que se  impôs nas trilhas do sonho através do intercâmbio da palavra capaz de  esclarecer o  mundo.
De arguta leitura da vida, compartimentada no verso, como no poema “Rastrear os deuses”, Renato Prata  expõe sua crença na poesia quando afirma que elabora o verso para atravessar divisas da solidão, maneja-o com precisão para capturar sentidos que revelam o mundo.

Eu faço versos mais cedo
Quando arfa o silêncio pela casa
Olhos de neblina e entressonho
Rastreando os deuses da poesia.

         Na poética construída com paciência e consciência do ofício,   nota-se como  o poeta em si concebe esse sujeito que tem veias de vidro para refletir o mundo, esse habitante daquela ilha verde com a aridez dos anos,  expedindo canção e danação, mas desprovido de cupom fiscal. Quando dotado de sensibilidade arguta, constrói belas e verdadeiras estrofes, tentando equilibrar-se entre espantos,  na direção constante de quem incorpora novas opiniões perante a experiência humana no mundo.  

Não guardo moldes e cálculos
Soletro tempos e pássaros
Mas tudo exponho aos ventos.

         Nessa Breve Antologia Poética, de novo percebo as qualidades de um discurso que vaza lucidez, pulsando nas intimidades de suas estações com a pulseira do tempo o eu lírico, em procedimentos de teor filosófico, até mesmo nas  incursões  expressivas metalinguísticas. Nessas suas maneiras alusivas da vida, que são apenas ondas antes de alcançar o cume e espraiar na metáfora, prova ser a sua força a de um lírico autêntico, a ação quase não se fazendo perceptível, o poeta caminhando pelo interior de espaços que existem independentes de sua forma instrumental, manifestando-se    com imagens que se ajustam a uma inventiva formal que só os poetas experientes dominam.
Contra o silêncio de seres e objetos, em suas relações intransponíveis ao primeiro golpe de vista, emerge esse poeta de sentidos e visões penetrantes do que importa deixar-se ficar, vale tocar e decifrar. Revela, em sua legítima impressão digital, sinais que reverberam solidões, estados de alma por entre cenas do cotidiano, plasmadas pelas luzes da memória, transes e emoções de quem sabe ser isso a veia e o veio para dialogar com o outro nas incompletudes do tempo, indiferente ao que nos envolve e habita no trânsito da existência.  Desse ponto de vista, existe sem dúvida uma proposta formulada que chamo de pulsações líricas no labirinto de Orfeu, que comove nessa coisa afável, diáfana, feita de versos e estrofes para suportar a vida.            

___________________ 
·  Cyro de Mattos é ficcionista e poeta. Publicado em inglês, francês, italiano, espanhol, alemão, dinamarquês, russo. Premiado no Brasil, Portugal, Itália e México. Membro titular da Academia de Letras da Bahia. Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual de Santa Cruz.  

Novo livro selecionado para a Série Katharina

Hoje, dia 27 de junho, lembramos os 10 anos da morte do grande poeta Bruno Tolentino anunciando mais um livro para a Série Katharina, criada em sua homenagem, que já tem “Auto da Romaria”, de João Filho, e “Natal de Herodes”, de Wladimir Saldanha, publicados. O livro escolhido foi “Februarius”, do poeta Igor Barbosa.


O AUTOR
IGOR BARBOSA nasceu em Pernambuco, no ano de 1984, e reside na cidade do Rio de Janeiro. Estudou Filosofia e Letras na UERJ. Teve poemas publicados na Revista Dicta & Contradicta, edição 4, e na internet. É também autor de livros técnicos, produtor musical e compositor.

O LIVRO

O nome fevereiro vem do latim februarius, inspirado em Februus, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca. E se o título “Februarius” remete ao mês que os antigos dedicavam aos mortos e aos rituais de expiação, Igor Barbosa inocula nessa ambiência um irresistível sentido de fevereiro brasílico, mas sem qualquer concessão ao fácil, dando provas da vitalidade de nossa poesia contemporânea: as temáticas transcendentes partem em geral da experiência cotidiana, com uma voz poética atenta ao mesmo tempo às formas elevadas e ao falar brasileiro. Versos livres, formas fixas e poemas heterométricos servem às necessidades expressivas de um estreante que já chega senhor de seu ofício. 


quinta-feira, 1 de junho de 2017

NOVO LIVRO DE NILSON GALVÃO

Novo livro do Nílson Galvão é o 12º da Série Horizontes, cuja contribuição à literatura baiana é mapear e procurar publicar o que há de mais relevante na poesia da nossa chamada Geração Anos 2000.